“Doutor, foi só uma luxação?”

Muitos já devem ter ouvido ou até mesmo feito essa pergunta: “Doutor, teve fratura ou foi só uma luxação?”, acreditando que a luxação é uma lesão menos grave.

Na verdade, o termo médico “luxação” refere-se ao deslocamento de uma articulação, quando dois ossos que se articulam perdem o contato, geralmente devido a um trauma. Nesses casos, costuma haver lesão extensa das estruturas que conferem estabilidade para a articulação como os ligamentos e a cápsula articular.
posterior1 - CópiaEsse deslocamento articular pode se resolver sozinho, quando a articulação desloca e volta para o lugar espontaneamente, sem necessidade de manipulação. Porém, em grande parte dos casos, são necessárias manobras específicas realizadas pelo ortopedista ou até mesmo cirurgia de emergência para devolver a congruência articular.
O mais importante é entender que a luxação é uma lesão grave que pode deixar sequelas incapacitantes como rigidez ou instabilidade da articulação.
Talvez, em alguns casos, seja mais adequado trocar a pergunta inicial para: “Doutor, teve luxação ou foi só uma fratura?”.

O “pé chato” precisa de tratamento?

Para responder essa pergunta, inicialmente devemos separar o pé chato da criança e o do adulto.

O pé chato, tecnicamente conhecido como pé plano, é visto frequentemente em crianças que estão começando a andar e, na maior parte das vezes, faz parte do desenvolvimento normal da infância, resolvendo-se por volta dos 7 a 9 anos de idade, com a formação do cavo do pé. Outras vezes, o cavo do pé pode não se formar e a pessoa terá o pé chato durante a vida adulta. O que, isoladamente, não é um problema. Quase todos terão vida normal sem qualquer queixa nos pés.

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Então quando preciso me preocupar?

Na infância, quando o pé chato estiver associado a queixas de dor nos pés, ou se a deformidade for muito acentuada e diferente entre os dois pés (se um for muito mais chato do que o outro), deve-se procurar orientação de um especialista. Já nos adultos, o que deve ser observado, além da presença de dor, é se a deformidade está se acentuando ou se um pé que era normal está ficando chato. Nesses casos, é importante consultar um ortopedista.

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“Joanete”: calçado é o grande vilão.

O”Joanete”, tecnicamente conhecido como Hálux Valgo, acomete aproximadamente 2-4% da população. A herança genética está presente na maioria dos casos, principalmente oriunda do lado materno, e a deformidade acomete os dois pés em 84% dos casos. O número de mulheres que procura o ortopedista com essa queixa é 15 vezes maior do que o de homens, possivelmente por certas características presentes nos calçados femininos como salto alto e bico fino, por exemplo. A baixa incidência na população indígena, fortalece a hipótese do calçado ser o grande vilão.

joaneteNormalmente, o paciente chega ao consultório queixando-se de uma proeminência dolorosa no lado interno do pé, próxima ao “dedão” (hálux), que dificulta o uso de calçados fechados. Em casos mais graves, o desvio acentuado do “dedão” pode deformar também os dedos menores.

O tratamento não operatório do “Joanete” consiste, principalmente, em mudança nos tipos de calçados. Outras medidas para controle da dor, como medicamentos e fisioterapia, também são utilizadas com frequência. Nos casos em que a dor não melhora com as medidas conservadoras ou a deformidade está progredindo, é indicado o tratamento cirúrgico. Existem mais de 200 técnicas operatórias descritas, sendo selecionadas de acordo com cada caso e com a preferência do cirurgião.

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“Esporão de calcâneo” pode afetar a qualidade de vida.

Dez por cento da população irá apresentar, em algum momento da vida, sintomas de fasciite plantar, popularmente conhecida como “esporão de calcâneo”. Dentre eles, destaca-se a dor, ao pisar pela manhã, na região plantar da face interna do calcanhar. O desconforto melhora após algum tempo em pé e piora com longas caminhadas ou corrida. Como o nome sugere, trata-se de uma inflamação na fáscia plantar, uma estrutura fibrosa que se origina no calcâneo e vai até os dedos, funcionando como uma corda de arco (Fig.).

Fascia plantar

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento desta patologia são: sobrepeso; discrepância de membros inferiores; pé chato, pé cavo, trauma prévio no calcanhar; uso de calçado inadequado; padrão indevido de corrida.

A fasciite plantar tende a melhorar espontaneamente com a consequente diminuição das atividades causada pela dor. Porém, algumas vezes, é mais difícil o controle, podendo tornar-se crônica e trazer incapacidade funcional, afetando a qualidade de vida.

As medidas mais frequentemente utilizadas no tratamento da fasciite são: repouso, gelo ou calor local, uso de antiinflamatórios (AINEs), alongamento plantar, uso de calçado com salto de 2-3 cm, splint noturno, infiltração local de corticóide e terapia de ondas de choque (TOC). O tratamento cirúrgico é raramente indicado.

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